O cearense Berg Menezes lança seu terceiro álbum de estúdio, Faísca, Fagulha ou Centelha, celebrando 20 anos na música independente. O disco, produzido por Victor Oliveira e o próprio artista, coloca a acessibilidade como matéria-prima criativa, incorporando Libras, audiodescrição poética e uma estética bilíngue que dialoga com surdos e cegos.
A identidade visual, criada por Gilberto Cardoso Jr, nasce de um macro do olho de Berg, simbolizando a janela de percepção entre artista, luz e público. Em novembro, a parte audiovisual do álbum será lançada com interpretação em Libras, ampliando a experiência inclusiva.
O projeto se originou em 2019, quando Berg integrou uma intérprete de Libras em seu show na Virada Sustentável. Desde então, a intérprete Vanessa de Assis tornou-se segunda vocalista da banda, e pesquisas com o Centro Cultural Bom Jardim, o Instituto Cearense de Educação de Surdos e o Instituto dos Cegos fundamentaram a abordagem “Nada sobre nós, sem nós”.
O álbum reflete descobertas estéticas: a música surda vai além de vibrações pesadas, permitindo melodias sutis; a audiodescrição poética conduz as atmosferas sem limitações literais. A faixa “Fagulha” exemplifica essa fusão de inspiração clássica e mensagens de inquietude.
Com arranjos de músicos como Ivan Timbó, Jefferson Juan, Vitor Maia e Álvaro Abreu, e participações de Zeca Kalu e Allan Kardec Filho, o disco consolida Berg Menezes como um marco na música brasileira, provando que a arte inclusiva