Você sabe o que é uma partitura corporal?

By FamososBR

A cantora brasileira Sarahysha desenvolveu o conceito de “partitura corporal” em seu projeto “Spiritual Biatch! – Corpo, Memória e Resiliência”. Nesse processo, a música começa a surgir como uma sensação no peito, uma alteração na respiração ou um impulso de movimento, e é organizada em som a partir da percepção corporal.

A “partitura corporal” considera elementos como respiração, tensão muscular, gesto, ritmo interno, energia, deslocamento e memória, deslocando a ideia tradicional de partitura. O resultado é um trabalho no qual som e movimento não aparecem como linguagens separadas, formando uma mesma estrutura de criação.

A composição pode surgir de uma imagem, de um sonho, de um movimento ou de algo que percebe fisicamente, e é organizada em som a partir da percepção corporal. A pesquisa se aproxima de tradições nas quais a música é transmitida não apenas por registros escritos, mas também pela oralidade, pela observação, pela repetição, pelo gesto e pela convivência.

A pesquisa de Sarahysha, intitulada “Spiritual Biatch!”, busca explorar como o corpo pode guardar experiências, símbolos e memórias que não são facilmente expressadas verbalmente. Ela investiga como deslocamentos, afetos, espiritualidades, traumas e referências culturais podem permanecer inscritos na forma como uma pessoa respira, se movimenta e produz som.

A ancestralidade não é tratada como uma referência distante, mas sim como uma presença que pode ser percebida e transformada por meio da criação contemporânea. A artista busca entender o que essas memórias podem gerar agora, e não apenas reproduzir algo do passado.

O projeto “Spiritual Biatch!” é uma experiência entre música e performance, que combina percussões, baixo, bateria, piano, teclado, trompete e voz para criar uma paisagem sonora marcada pelo afro-jazz, pelo spiritual jazz, pela psicodelia africana e por pulsações afro-brasileiras. A instrumentação não funciona isoladamente, e os músicos respondem a estímulos corporais, vocais e cênicos, criando uma composição que se desenvolve também pela escuta e pela presença.

A proposta é criar uma experiência sensorial na qual o público não acompanhe apenas uma sequência de canções, mas perceba a construção de uma linguagem entre voz, corpo, ritmo, silêncio e improvisação. Sarahysha prefere não limitar o trabalho a um único gênero musical, e vê o projeto como uma música de reconexão, que pode ser uma reconexão com o próprio corpo, com uma memória, com uma emoção ou com alguma coisa que a rotina nos fez deixar de perceber.

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